

A insularidade, longe de impor um constrangimento, revelou-se antes um catalisador para o desenvolvimento musical de notável vitalidade, nutrido pelo entusiasmo crescente da população madeirense pela prática artística em contexto coletivo. É precisamente neste panorama cultural que emerge o repertório reunido na presente Antologia de Música na Madeira – bandolim, um testemunho do talento criativo de músicos e compositores amadores que, com grande perícia, elegeram o bandolim como estandarte sonoro de inúmeras coletividades musicais e recreativas, algumas das quais perpetuam a sua atividade até aos nossos dias.
Neste acervo, existem duas vertentes estéticas principais: a popular e a erudita. Na primeira, sobressaem as contribuições de figuras como Gustavo Coelho, ilustre regente, de cuja pena saíram obras como Passo Ordinário, Dia de Reis e O 6 de Janeiro, esta última uma provável homenagem ao grupo homónimo dirigido por Carlos Santos. A ele se junta Ernesto Serrão, compositor e diretor de tunas, com a sua vibrante marcha Azinhaga Artística. Num registo distinto, a vertente erudita é magnificamente representada por Júlio Câmara, cujas composições, como Pensiero Libero para bandolim solo e Fados para bandolim e piano, denotam uma notável exigência técnica e uma inegável influência da escola italiana, possivelmente absorvida através do contacto com a obra de Carlo Munier. De igual modo, Fernando Clairouin, diretor do sexteto/septeto Passos de Freitas, explora uma expressividade de cariz romântico, seja na dramaticidade de Um Sonho, seja no apurado sentido harmónico do seu arranjo sobre a valsa Lamentos, do brasileiro Clemente Ferreira Júnior, onde desafia os intérpretes a um rigoroso domínio da articulação e do contraste dinâmico.

A ideia primordial foi identificar, estudar e divulgar representações visuais alusivas à música, como cenas, composições, instrumentos (organologia), anotações e símbolos musicais, além de figuras de músicos em contextos performativos, existentes em templos diocesanos, públicos e privados do Concelho do Funchal, quer em obras ainda cultuais ou já musealizadas, contribuindo para o estudo da história da arte e da música na Região Autónoma da Madeira.

A RPEA 14 n.º 1, apresenta um conjunto de artigos em torno da educação e das artes, que demonstram a riqueza da investigação artística, abrangendo temas que vão desde a música tradicional à arte digital, passando por experiências interculturais. Este número reafirma o compromisso com a divulgação de investigações e práticas que valorizam a arte como um campo educativo vivo, diversificado e em constante diálogo com os desafios contemporâneos.

O álbum digital do 44.º Festival da Canção Infantil da Madeira de 2025, é uma publicação digital e contém 10 músicas em wav, incluindo letras, partituras integrais, músicas, playbacks de vários solistas, autores de letra e música.

São doze canções popularizadas tanto nas rádios como nas principais redes sociais. Os critérios de escolha das músicas, apesar de variarem em género a cada edição, mantêm as principais características: canções em língua portuguesa, adaptadas para todas as idades e de fácil aplicação em qualquer contexto, com acompanhamento para piano e a respetiva cifra com a harmonia. Desta feita, em vez de procurarmos representar obras de um determinado espaço temporal, optou-se por apresentar uma seleção de alguns das melhores da Música Tradicional das Ilhas, que não pretendem ser um top mais, mas somente uma representação de toda uma era que se vai diluindo com o tempo.

A Antologia da Música na Madeira abrange um período temporal que vai desde o século XVIII ao XX. Neste momento, estão programados 15 volumes, com um total de cerca de 1600 páginas de música. Este projeto é a primeira tentativa de criar uma antologia sistemática e alargada de obras de autores madeirenses, num projeto que constitui um marco nos estudos musicológicos da Madeira.
Conservatório – Escola das Artes da Madeira
Polo do Bom Jesus
Travessa do Nogueira, 11
9050-451 Funchal
Telef.: +351 291 103 410
Horário (2ª a 6ª): 09h00 – 17h30
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Este livro procura juntar algumas bases de reflexão e servir de ponto de partida para outras leituras e outras atividades práticas que possam significar uma maior atenção ao ser que habita em cada um de nós. A si, que se entusiasma com a ideia de poder dar um contributo para a transformação do seu grupo, da sua escola, do seu local de trabalho, enfim, da sua vida, espero que o conteúdo deste livro, ao ser partilhado e posto em ação, possa ser um apoio decisivo. Desejo-lhe também boa sorte e muita alegria!

